Dicas práticas e eficazes que me ajudaram a enfrentar a ansiedade

Nos dias de hoje, vivemos com medo do que pode acontecer conosco e com aqueles que amamos. Nos submetemos a situações desagradáveis e tensões para manter nossos empregos e relações e, em um mundo que nunca foi tão conectado, nunca tivemos mais dificuldades em nos comunicar.A correria do dia a dia, a instabilidade do mercado de trabalho, a violência das grandes cidades, os problemas familiares, os problemas de saúde – tudo isso se somam a pequenas e grandes frustrações que alimentam os dois maiores transtornos mentais da contemporaneidade: a depressão e a ansiedade.

Se você já lutou contra qualquer um destes sentimentos ou se está passando por isso agora, é muito importante ter ferramentas para enfrentar estes sentimentos no momento em que eles aparecem com mais força. Sabendo disso, separei uma “maletinha” especial com várias coisas que aprendi em anos de tratamento.

A ideia é que você recorra a essas práticas quando sentir a ansiedade crescendo, ou mesmo quando ela estiver em seu auge: momento que pode vir acompanhado de tremores, suor, palpitação, dificuldade de respirar, formigamentos, sensação de fraqueza e muitos outros sintomas assustadores.

1 Respire

Sim, parece uma dica inútil e que todas as pessoas dão. Mas não estou falando aqui apenas de inspirar o ar – estou falando sobre um exercício de respiração que deve ser repetido por pelo menos alguns minutos até que a sensação melhore. O meu segredo é ter um app de respiração sempre a mão. Existem vários disponíveis na internet e na hora do aperto eles te indicam exatamente o quanto inspirar, segurar, e expirar. Por mais simples que seja, essa é uma das práticas mais eficazes para interromper uma crise de ansiedade independente do grau da mesma.

2 Não lute

Este pode parecer um conselho estranho, mas um dos erros que as pessoas mais cometem na hora de tentar impedir uma crise de ansiedade é começar a falar para si mesmo que você está enlouquecendo. Nunca pense isso – em primeiro lugar, você não está ficando louco; em segundo lugar, pensar que seus pensamentos são exagerados ou irreais apenas fará o seu cérebro gastar mais energia tentando provar pra você que eles fazem sentido. Sendo assim, aceite os pensamentos seja quais forem e deixe a ansiedade agir e ir embora.

3 Desafie a sua mente

Além do transtorno de ansiedade, também sofro de medo de voar, apesar de amar viagens. Um dos métodos que aprendi para não entrar em pânico dentro do avião, também me serviram para lidar com outros tipos de ansiedade: escrever com a mão esquerda. Pode ser o seu nome, uma música, uma conversa – apenas force o seu cérebro a investir 150% da atenção dele em algo que não seja o medo.

4 Recorde-se de coisas boas

Trate coisas que te fazem feliz como um “antídoto” pra sua ansiedade. Para mim, gosto de ter uma pasta com fotos, cartas, recordações, ilustrações que aprecio, imagens que acho bonitas, fofas ou engraçadas. Também tenho uma versão digital “simplificada” que levo no celular e recorro sempre que preciso me acalmar e lembrar que tudo ficará bem.

5 Escute uma história

Crianças gostam de ouvir histórias antes de dormir. Essa atividade relaxa o corpo ao mesmo tempo em que dá ao cérebro um fio para acompanhar. Isso também funciona com adultos. Uma das minhas ferramentas mais eficazes quando tenho que lidar com sintomas violentos de ansiedade é pedir para alguém me contar uma história: pode ser algo lido em um gibi, um acontecimento do dia, uma lenda urbana. O importante é que dar ao meu cérebro material para racionalizar sempre me causa um alívio quase instantâneo.

6 Conecte-se com o aqui e agora

Um dos exercícios para ansiedade mais recomendado por especialistas se baseia no estímulo dos sentidos. Se você precisar se acalmar no meio de uma multidão, um local lotado ou qualquer situação em que não é possível seguir imediatamente para um lugar mais calmo, tente praticar o seguinte: identifique 5 cheiros, 5 sons, 5 coisas da mesma cor e 5 texturas diferentes. O estímulo e concentração devem te distrair até que você possa chegar a um lugar seguro.

7 Seja paciente com você mesmo

Não sinta raiva ou tristeza por estar passando por algo assim. Tente falar com você mesmo da mesma maneira que falaria com uma pessoa amada que estivesse com tais sintomas. Pense que você já sobreviveu a coisas difíceis antes, reforce a ideia de que logo você se sentirá melhor. Não direcione nenhum tipo de agressividade a si mesmo pois isso pode ocasionar um ciclo interminável de tensão.

8 Procure ajuda

Fale com um profissional de saúde mental, fale com um amigo em quem confia muito, um irmão, um pai ou uma mãe. Eles podem ajudar você a executar essas práticas quando necessário e educá-los sobre as suas necessidades pode tornar a sua vida muito mais fácil – e a deles também.

A ansiedade e a tristeza são emoções humanas que todos nós experimentamos em um momento ou outro: são sensações primordiais e ancestrais que não podemos evitar. Mas esses sentimentos, geralmente inofensivos, também podem se manifestar em versões perigosas e patológicas, como transtornos de pânico, comportamento obsessivo-compulsivo, depressão, e até mesmo o suicídio.

Estes são assuntos tabu para muitas pessoas, que consideram estas questões como pertencentes aos domínios da vida privada. Essa noção só reforça a sensação de solidão das pessoas que enfrentam algum destes problemas, e por medo e vergonha do julgamento de uma sociedade em que ser produtivo, estar feliz e ter tudo sob controle são a norma a ser seguida.

Talvez você só enfrente alguns episódios de ansiedade em sua vida, talvez você tenha que viver com crises regulares para sempre. O importante é ter recursos para sair de uma situação de pânico e alarme infundados e conseguir se acalmar.

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